Começa o Campeonato de 1991

Nelson Piquet treina com a Benetton Ford em Silverstone - pintura de Jorge Eduardo Alves de Souza

 

 

 

Na véspera da largada do Grande Prêmio dos Estados Unidos, em Phoenix, Arizona, sábado, 9 de março de 1991, Nelson Piquet contou-me o que esperava da temporada.

 

 

No campeonato que começa amanhã (domingo, 10 de março de 1991), a Ferrari foi a equipe que mais progrediu nos testes de inverno europeu. O novo Ferrari é basicamente o carro antigo um pouco modificado. Jean Alesi, no lugar de Nigel Mansell, foi uma troca muito boa para a equipe italiana. Ele é jovem, tem garra e precisa aprender. Estar ao lado de Alain Prost foi a melhor coisa que podia ter acontecido a ele.

 

 

Uma equipe forte vai ser a Tyrrell, com o motor Honda V-10 do ano passado, que andou bem e ainda é muito  potente. A Tyrrell vem com o Stefano Modena e o Satoru Nakajima. Modena é um piloto jovem com chance de se destacar. Outras equipes estão tentando a sorte grande, mas sem muito sucesso. A Arrows ainda não acertou com o motor Porsche. E o Ilmor, motor norte-americano da Leyton-House, apresentou muitos problemas.

 

 

Agora vamos falar do nosso time, a Benetton. A Ford aperfeiçoou o motor para este ano, que vai evoluir ainda mais nos próximos dois ou três meses.

 

 

Na teoria, a diferença entre os motores V-8 e V-12 é mínima. Não importa o número de cilindros. O que realmente faz a diferença é o dinheiro e o trabalho investido no desenvolvimento do motor. O Honda V-10 era mais potente que o Ferrari V-12. No ano passado o Ford V-8 tinha 600 cavalos. Evoluímos para 640, 645 cavalos. E agora já temos quase 690 cavalos.

 

 

O motor de 8 cilindros oferece vantagens: é mais leve, tem menos atrito, consome menos gasolina. Vamos correr em Phoenix com o modelo antigo, o que é muito bom. Se o carro ainda não foi bem testado é melhor iniciar com o carro velho. O novo Benetton só fica pronto para a corrida de Imola, com mais modificacões no motor. Quando voltarmos da corrida do México ou do Canadá, novas alterações da Ford vão tornar nosso carro muito mais competitivo.

 

 

Eu  tive a sorte do Roberto Pupo Moreno estar na Benetton. É meu amigo de infância, um piloto que entende de acerto de carro. Posso então dividir  o trabalho com ele. É a primeira vez que Moreno pilota o carro de uma equipe de ponta. Acho que agora ele vai ser um grande sucesso.

 

 

Rodei 6 mil quilômetros de testes com os pneus Pirelli. Não foi possível fazer testes comparativos, mas na minha opinião melhoramos 50%. Vamos ter a confirmação em três ou quatro corridas. Depois de todas as experiências que fizemos durante o inverno, estamos um passo à frente em relação aos pneus do ano passado.

 

 

O pneu Pirelli da Benetton é 1 polegada mais estreito, o que melhora muito a aerodinâmica. Já que estamos jogando com menos potência, com o pneu mais estreito o carro tem menos arrasto e anda mais rápido nas retas. Testamos e modificamos pneus a toda hora. Você tem que saber o que está fazendo. Precisa de motores, de carro e idéias novas. É inútil investir no desenvolvimento de pneus com um time safado que não dispõe de motores, não faz testes etc.

 

Foi um trabalho enorme neste fim de ano e que ainda não acabou. Em Imola vamos experimentar novos modelos, novas construções. Ao longo do campeonato, continuaremos pesquisando as modificações. Até aqui o resultado tem sido ótimo.

 

publicado em 10 de março de 1991